A criação de uma marca cervejeira brasileira com ambição nacional — posicionada entre as premiums nacionais e as importadas, construída com embalagem proprietária, comunicação de alto impacto e distribuição regional escalável.
A Cerveja Proibida nasceu em um dos mercados mais difíceis do Brasil: o cervejeiro. Na virada dos anos 2000 para 2010, o setor era dominado por grandes grupos, com marcas de enorme capilaridade, investimentos massivos em mídia e distribuição consolidada. Entrar nesse mercado exigia mais do que uma boa bebida — exigia nome forte, embalagem memorável, estratégia de preço, distribuição inteligente e coragem criativa.
A Proibida nasceu dentro da Companhia Brasileira de Bebidas Premium — CBBP, criada em 2008 em Pindoretama (CE) por João Carlos Noronha e sócios, entre eles Lucas Albuquerque. A proposta era disputar espaço com uma cerveja brasileira inspirada nas pilsens tchecas, posicionada como alternativa entre as cervejas premium nacionais e as importadas.
A Proibida não foi pensada apenas como uma nova cerveja. Foi criada como uma marca de ruptura em uma categoria dominada por gigantes. A tese era ocupar um espaço intermediário — uma cerveja com percepção premium, estética proprietária e inspiração internacional, mas com preço e distribuição capazes de dialogar com o consumidor brasileiro.
Em um mercado altamente concentrado, uma nova marca precisava nascer com três forças simultâneas: produto com narrativa de origem (a referência às pilsens tchecas criava território de qualidade e tradição cervejeira), nome com tensão cultural ("Proibida" era provocativo, fácil de lembrar, com energia popular) e campanha com alto poder de conversa. A campanha das Tchecas — Michaela e Dominika, apresentadas como turistas no Pânico na TV e posteriormente reveladas como embaixadoras — transformou o lançamento em assunto nacional, com mais de 170 mil seguidores no Twitter antes da revelação, cerca de 40 filmes entre teasers, vinhetas e comerciais, e R$ 2 milhões de investimento de mídia.
Enquanto marcas tradicionais disputavam frequência, mídia e patrocínio, a Proibida tentou disputar atenção cultural. A leitura estratégica deve ser equilibrada: o case foi potente em awareness, mas revelou também o risco de ações de emboscada quando a atenção cultural avança mais rápido que a governança institucional, jurídica e reputacional.
Lucas atuou como fundador da CBBP e diretor estatutário, participando da construção da empresa, da marca e da estratégia de lançamento da Cerveja Proibida. Sua atuação se estendeu da tese inicial à embalagem, do posicionamento à política comercial, da articulação entre produto, comunicação e canal à construção da narrativa pública da marca. Não apenas executivo de marketing, mas construtor de marca em uma das categorias mais competitivas do país. Em 2013, a CBBP foi vendida ao empresário Nelson Morizono, encerrando o ciclo de fundação da marca.